quarta-feira, 13 de outubro de 2010



Quero-me em vagas de tormenta. Na demência se impondo em arrepios. Preciso urgentemente de um pecado que não se confessa, que fere e destrói. unhas rasgando a pele e palavrões sem censura quebrando moralidades. Quero-me amarrotando todos os mais ou menos e caindo sem rede num amor que não sinto por ninguém. Quero-me arremessando a razão contra a parede, magoando as expectativas e contraindo no púbis o mais clandestino dos impulsos. Quero-me em cenários á preto e branco. Contornos rasgados. Hábitos quebrados. Quero-me assim...primitiva.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010



Fico desnorteada com a maneira que te ofereces. A palavra abandona-me e o corpo reage de imediato. Mergulho nas gotas de ti e mesmo sentindo os bolsos vazios e ensurdecendo-me com os tilintares de pós de terra e desejos que em ti se libertam... Engulo-te o sémen do poema. Lambo os lábios e ainda no pleno do tremor dispo-me assim em nós inquietos.

Deixas-me transparente e de alma descalça. Rasgo a palavra num gesto impensado e desespero-me num ritmo onde só tua boca saberá exorcizar minha fome. Trago febre entre as coxas. Sede de outras vidas. Desejos mantidos.
Roubas-me os limites...não existe resto pra ser olhado. Nem sentido.