
Um sono imenso, um cansaço enorme, meu corpo deita mas não pousa sem teus braços. Acho que não volto a dormir e ressonar para acordar inteira se não for ao teu lado. Estou aí, dentro do teu peito e agora estou condenada a andar aqui sem alma e sabes que para os que estão sem alma, não há horas de sono que dêem jeito. Sigo branca, lívida, lábios vermelhos porque meu sangue corre aí em tuas veias, não sentes, longe que está do meu próprio coração, se impulsiona distante e eu esfrio o corpo, com teu coração batendo por nós dois enquanto o meu soluça no seco, longe dos líquidos quentes de que nos fazemos juntos. Minhas mãos à procura de ti no vazio vizinho, na amplidão alva impregnada do teu cheiro, entre travesseiros e tudo isso se mistura aos sonhos em que voltam as nossas imagem em flashes, em pedaços, o quarto quase escuro, a luz da madrugada, tuas pernas, os pêlos do teu peito, tua língua rubra, peças de roupa perdidas, teu riso, um leve suspiro e eu acordo com a impressão de que acabaste de te evadir daqui, que em mim restam teus afagos de sonho, a presença efêmera do teu riso, a tua respiração. Adormeço insone, com pena dos meus seios tão longe das tuas mãos.












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